12 de fevereiro de 2013

Ah o Carnaval...


Este ano não houve, para mim, Carnaval. À parte de um balão de água que me mandaram ao carro no sábado, não atirei serpentinas, não assisti a nenhum desfile e muito menos me mascarei. Tenho pena, porque lembro-me de achar que esta era, a seguir às férias do verão, uma das melhores épocas do ano.
Lembro-me de ir sempre para a casa dos meus avós, mascarada de Princesa, de Sininho, de Joaninha, ou a minha preferida, "Ordalisca". Os meus pais são de uma terra pequena, com muito poucos habitantes, por isso, nesta altura, as terrinhas enchiam-se de crianças armadas com serpentinas e confetis e, pior, balões de água, que é como quem diz, pirralhos a sujar o chão todo e a apoquentar os velhotes. Mas, no fundo, no fundo, as pessoas adoravam aquele movimento, aquela vida toda. E eu adorava lá estar. 
A única criança que lá vivia era o meu primo, e era com ele que eu brincava "ao Carnaval". Íamos ver desfiles, atirávamos serpentinas e confetis e, claro, enchiamos balões de água. Lembro-me de pormos balões de água nos tapetes à porta de casa dos vizinhos, tocar à campainha e fugir para o "posto de vigia", onde víamos se as pessoas pisavam o balão ao sair de casa. Não vale a pena experimentarem, não funciona. Nós tentámos algumas vinte vezes e foi um grandessíssimo desperdício de balões.
O Carnaval na escola também era uma festa. O meu colégio nunca fez aqueles desfiles pela rua que dão muito trabalho aos senhores varredores de rua, mas a nossa festa era bem melhor. O refeitório transformava-se num verdadeiro Moda Lisboa, com passerelle e tudo. A escola toda desfilava para mostrar o seu disfarce e até os professores entravam na brincadeira. A minha mãe ia sempre ter comigo à hora do almoço para me tirar fotografias com os meus amiguinhos, por isso para além das memórias, tenho fotografias que adoro daqueles tempos. 
Tenho saudades caraças. Se houver emprego para mim (se souberem de alguma coisa daqui a três anos, apitem), hei de mascarar-me todos os anos com os "meus" putos.

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