6 de agosto de 2013

Se eu podia viver sem o meu computador?

Poder, podia. Aliás, posso. O pobrezinho está para arranjar. Começou a ter ataques de pânico e a desligar-se de quando em vez, por isso não tive hipótese: teve de ir à faca. Para além disso, estive o fim de semana todo fora, o que me soube pela vida, que de vez em quando também é bom sair deste mundo de maquinetas e tecnologia para nos refugiarmos no sossego da santa terrinha. E foi isso mesmo que eu fiz. 
Desde que me conheço que, todos os anos, o primeiro fim de semana de agosto é sagrado: são as festas da terra do meu pai. Lembro-me de ser miúda e ter esta festa como o marco do meio do meu verão e, também, como o início dos meus dias felizes. A família juntava-se toda em casa, dormiam três e quatro pessoas no mesmo quarto, tudo atabalhoado, colchões em todo o canto, roupa espalhada por tudo quanto era cadeira. Uma família do tamanho do mundo numa casa do tamanho de uma gaiola. Os meus colegas gozavam comigo; era a miúda da "pacóvia" que, quando começava a escola, contava com um sorriso gigante nos lábios que tinha ido para a "pasmaceira", que se tinha juntado com os "matarruanos" e que tinha feito uma festa enorme. Eu cá não me importava, e não me importo. Tenho um orgulho enorme nas minhas raízes e tenho até pena de não ter nascido lá. 
Atualmente, as coisas já não são assim. A casa parece cada vez mais do tamanho do mundo e a família cada vez mais pequena. A morte dos meus avós foi como que o retirar dos alicerces; a partir daí, começou tudo a ruir. Mas não é por isso que eu, os meus pais e a minha irmã deixamos de cumprir a tradição. E todos os anos lá vamos nós. Passa sempre a correr e quatro noites parecem quatro horas, mas sabe sempre muito bem. Em breve, fotos!

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