Os portugueses têm esta mania irritante: tomar a parte pelo todo. Sonho com o dia em que as pessoas vão perceber que as praxes NÃO SÃO obrigatórias, que nós, praxados e praxantes, não somos todos uma cambada de burros e frustrados, que não andamos todos a passear os livros na faculdade e a gastar o dinheiro dos nossos pais em vão e que não somos todos umas bestas desumanas que humilham e maltratam os outros. Somos, sim, estudantes universitários que OPTARAM por participar numa tradição antiga a que se dá o nome de praxe académica. Muitos de nós, e é desses que aqui falo, divertem-se nos rituais de praxe, gostam de lá estar, fazem amigos; sim, nós, as bestas, fazemos amigos na praxe, independentemente do seu nível hierárquico. Fantástico, hã?! Parem de nos pôr a todos no mesmo saco! Parem de criticar a praxe só porque está na moda! Caramba, mas quantas vezes é preciso dizer que só participa nesta merda quem QUER?! E quem quer, realmente, quem GOSTA, sente-se profundamente ofendido quando lê coisas como "aquelas bestas de capa" ou "cambada de frustrados mal-amados que rebaixam os outros para se sentirem melhor". Eu sinto-me ofendida, bastante. Se há pessoas más na praxe? Claro que sim, convivi com algumas, infelizmente. Mas há pessoas más em todo o lado! Parem de ligar a praxe a pessoas cruéis. Foda-se, que já irrita!
E em relação aos 6 estudantes universitários que morreram no Meco: não, não concordo com o pacto de silêncio, acho uma infantilidade e uma estupidez. Acho, acima de tudo, uma falta de respeito pelas famílias daqueles jovens e pela sua memória. Mas acho, também, e agora preparem-se os mais sensíveis porque podem não gostar do que vão ler a seguir, que o facto de se terem atirado ao mar do Meco, àquela hora, vestidos, foi da parte deles uma enorme irresponsabilidade. Se o DUX tem culpa ou não na morte deles, não sei. Mandou-os para a água? E então? A minha mãe sempre me perguntou: "se te mandassem atirar para um poço, tu saltavas?". Não, não saltava. Há limites para as tradições e eu teria dito não. Não ia para a água. Não ia pôr em risco a minha saúde, a minha integridade física, a minha vida. Na praxe passaram-me alguns ideais, um deles o respeito pela hierarquia, mas sempre me disseram que teria todo o direito de recusar uma praxe que achasse que me humilhava, maltratava ou me punha em risco. E eu fi-lo. Eu, que amo tanto esta tradição. Eu, que conheço muito pouca gente que goste tanto disto como eu. Fiz frente aos meus superiores hierárquicos, expliquei-lhes os meus motivos e recusei-me a certas praxes. Não tenho de me sujeitar a tudo o que me dizem. Não tenho de fazer apenas porque alguém me manda. Acima de tudo, está a minha saúde. Está o respeito por mim própria. Porque é que se atiraram ao mar naquelas circunstâncias? Alguém lhes apontou uma arma à cabeça e obrigou-os a fazê-lo? Desculpem, mas duvido. E não me venham com as tretas das represálias. Somos todos adultos. Torturam-vos? Agridem-vos? Pois bem, dirijam-se às autoridades de competência. Não me venham é com merdas!
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