8 de julho de 2013

Mulheres e beleza

Nunca tive a auto-estima muito alta (nem tenho). Nunca me achei propriamente bonita, girinha, engraçadita, podia ser pior, nada disso. Tudo isso tem uma razão de ser. Quando cheguei ao 2º ciclo, a maior parte das minhas amigas era já bem mais desenvolvida do que eu. Eu ainda não tinha o período e era uma autêntica tábua de engomar: nem mamas, nem rabo, magra que doía, enfim, o ideal de rapariga. Por isso, era muito gozada pelos meus queridos e amados colegas (um deles, o rapaz de quem eu gostava - e de que gostei até ao 10º ano; um drama). Gozavam com as minhas maminhas ainda encolhidas, gozavam com a minha cremalheira (tinha uma baliza entre os dois dentes da frente) e, mais tarde, gozavam com as minhas imponentes borbulhas (sofri muito com o acne, mesmo muito). Essa fase influenciou-me até hoje e nunca consegui olhar para o espelho e ver uma pessoa bonita. Não sou nenhuma coitada, nem vivo numa depressão profunda, não se assustem, simplesmente não me sinto bela. Isso afeta a minha vida pessoal, principalmente a relação com o meu namorado. Ele elogia-me muitas, muitas vezes, o que é excelente e me faz sentir bem; o problema é que eu não acredito. E ele fica triste. Percebe, mas fica triste porque sente que, por mais que me diga "coisas bonitas", eu nunca darei valor. Não é verdade, eu dou valor, muito. Tenho é dificuldade em acreditar. Acho que ele diz isso porque é meu namorado, e não por ser realmente verdade. Enfim, são pancadas de recalcamento. Mas adiante.
Tudo isto por causa dos novos anúncios da Dove. Sempre gostei dos anúncios, mas estes últimos tocam-me de uma forma especial. Faz-nos pensar na maneira como nos vemos a nós próprias, o que vemos ao espelho e como somos capazes de reparar no que os outros têm de bonito, mas não de reparar naquilo que temos de bom em nós. São anúncios que apelam ao aumento da auto-estima de cada mulher e, por isso, fazem-nos sentir que foram feitos só para nós. Vejam este e este (tem um erro; a primeira pergunta é "qual a parte do corpo de que menos gostam?"). São ambos lindos e inspiradores. Toca a sentirem-se bonitas, fofas! (eu não entro nessa brincadeira, ok?)

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